Moraes manda Flávio Bolsonaro entregar passaportes; o que se sabe

O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta segunda-feira (26) que foi intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Reportagens que tiveram acesso à decisão, que tramita sob sigilo, dizem que o ministro determinou a entrega dos documentos, inclusive o diplomático, em 24 horas. O STF informou, até a publicação desta matéria, que ainda não tinha informações sobre a decisão, e a PF não se manifestou oficialmente.

O que se sabe sobre a ordem de Moraes

Moraes é o relator de uma investigação no STF sobre suspeita de lavagem de dinheiro que envolve Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz. O caso corre em sigilo. Segundo as reportagens, o ministro enviou ofício ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, para o recolhimento dos passaportes, cancelou os documentos e proibiu o senador de manter contato, direto ou indireto, com o advogado.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio disse que foi abordado pela PF na rua, ao sair da casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Segundo ele, a ordem teria sido assinada no domingo (25). O Diário de Santa Catarina não teve acesso ao documento, e a data da assinatura não foi confirmada oficialmente.

Por que Moraes mandou recolher o passaporte de Flávio Bolsonaro?

O motivo da decisão não foi divulgado oficialmente, porque o processo é sigiloso. Parlamentares, entre eles a deputada Erika Hilton (PSOL), haviam pedido a Moraes a apreensão dos passaportes, sob a alegação de risco de fuga, ao citar o inquérito e uma declaração do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que defendeu em um podcast que Flávio deixasse o país caso perdesse a eleição. Não há confirmação de que esses pedidos tenham fundamentado a ordem.

Flávio disse acreditar que a decisão se baseou nessa declaração de Eduardo, de 23 de outubro, e afirmou que nunca falou isso. “Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é justiça?”, questionou.

O que dizem os citados

Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz negam qualquer irregularidade. A defesa do senador afirma que a relação dele com o advogado se limita à amizade entre as famílias e classificou como falsas as informações de que os dois compartilhavam uma conta bancária. Até a publicação, o senador não havia anunciado intenção de deixar o país, e nenhuma ordem de prisão foi noticiada.

O Diário de Santa Catarina atualiza a matéria quando houver manifestação oficial do STF ou da PF.

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