Chile tem queda do PIB e desemprego de 9,6% em meio a ajuste fiscal

A economia do Chile encolheu 0,3% no terceiro trimestre de 2026, depois de uma retração de 0,2% no segundo, e o desemprego subiu um ponto percentual em 12 meses, chegando a 9,6%. O país enfrenta o cenário econômico mais difícil dos sete meses do governo de José Antonio Kast, que tomou posse em março com a promessa de reduzir o Estado, cortar impostos e reativar a economia.

FMI reduz projeção de crescimento

Em julho, o Fundo Monetário Internacional previa crescimento de 1,8% para o Chile em 2026. Em outubro, cortou a estimativa para 0,6%, o segundo pior resultado da América do Sul, à frente apenas da Bolívia, que deve ter recessão de 3%. A produção de cobre, que responde por 40% a 50% das exportações chilenas, foi 8% menor de janeiro a agosto do que no mesmo período de 2025, segundo a Câmara de Mineração do país.

Os combustíveis também pesam: com a alta provocada pelos conflitos no Oriente Médio, o governo decidiu não intervir para evitar o custo fiscal, e gasolina e diesel subiram.

Corte de gastos e reação nas ruas

No fim de setembro, Kast lançou um programa de investimentos públicos com obras de infraestrutura, subsídios à criação de empregos e apoio ao financiamento de empresas, com meta de gerar mais de 100 mil vagas. Ao mesmo tempo, o governo promove cortes de despesas, sobretudo em saúde, habitação, educação e trabalho, e reduz impostos para empresas.

O Orçamento de 2027 prevê alta de 1,5% do PIB nas despesas, abaixo do previsto antes, e uma fundação ligada à ex-presidente Michelle Bachelet estima que os cortes afetem 48 programas sociais. Cortes na educação mobilizaram estudantes em marchas que terminaram em repressão policial, e Kast tem desaprovação superior a 60%.

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