Brinquedos com inteligência artificial: o alerta dos pediatras às famílias

Imagem ilustrativa: jencu/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) emitiu um alerta sobre brinquedos que usam inteligência artificial generativa e recomendou cautela às famílias, sobretudo diante de produtos que mantêm conversas abertas, coletam dados pessoais ou simulam amizade e apoio emocional. A entidade lembra que os efeitos de longo prazo sobre a saúde mental e o comportamento infantil ainda não foram suficientemente estudados.
Por que a IA nos brinquedos preocupa
Esses sistemas reconhecem voz e imagem, memorizam informações, adaptam respostas e conversam de forma não totalmente pré-programada. Um brinquedo conectado pode ter microfone, câmera e acesso à internet, além de coletar dados e estimular o engajamento. O Unicef também alertou para os chamados “AI companions”, produtos que incentivam conversas de relacionamento, e uma revisão publicada na revista Pediatrics aponta o risco de a criança perceber a IA como amiga ou cuidadora.
Perguntas para fazer antes de comprar
Entre as nove perguntas sugeridas pela SBP estão: o que a tecnologia acrescenta à brincadeira; se a criança participa ativamente ou o brinquedo faz quase tudo; se o produto tem câmera, microfone ou conexão com a internet; qual é a indicação etária; o que acontece com os dados da criança; se há publicidade ou assinaturas associadas; e se o brinquedo simula amizade ou apoio emocional. Se as informações essenciais não estiverem disponíveis, a recomendação é não comprar.
Direitos das famílias
Em caso de coleta de dados não informada, conteúdo inadequado ou dificuldade para exercer direitos, a SBP orienta pedir ao fornecedor informações, correção ou eliminação dos dados da criança; desistir da compra em até sete dias, quando feita fora de loja física; e registrar reclamação no Procon, no consumidor.gov.br e na Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).




