Soja sem proteção contra pragas poderia perder até 55%, diz estudo da UFV

Foto: Lucas Friederich / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
Um estudo da Universidade Federal de Viçosa (UFV), feito em parceria com a Croplife Brasil, associação de empresas de biotecnologia, melhoramento genético e defensivos agrícolas, estima que a soja brasileira perderia até 55% da produtividade se as lavouras ficassem sem proteção contra pragas, doenças e plantas daninhas. A pesquisa também aponta efeitos sobre os preços de alimentos.
Perdas na produtividade da soja podem chegar a 55%
Os pesquisadores simularam quatro doenças, entre elas a ferrugem-asiática, cinco pragas e nove plantas daninhas, em três cenários: sem controle, com controle parcial e com controle ótimo. No melhor cenário, a produtividade chegaria a 72 sacas por hectare. Com controle parcial, cairia para 52 sacas; sem controle, para 32.
Segundo o estudo, compensar essa perda exigiria plantar mais 33,5 milhões de hectares, área próxima à do estado de Goiás. A receita simulada com exportações de soja iria de US$ 44,2 bilhões para US$ 26,6 bilhões, diferença de US$ 17,6 bilhões por safra. A menor oferta poderia elevar o preço da soja em até 49% e acrescentar cerca de 0,26 ponto percentual ao IPCA, com reflexo em óleo, leite, ovos e carnes.
Defensivos agrícolas: o outro lado do debate
O uso de defensivos químicos é controverso. Levantamento do Ipea mostra que, entre 2003 e 2023, o consumo anual de agrotóxicos no país subiu de 180 mil para 800 mil toneladas, e que soja, milho e cana respondem por 76% do total. O pesquisador da Embrapa Robson Barizon lembra que as substâncias podem trazer riscos à saúde humana e ao ambiente, como contaminação do solo e da água e efeitos sobre polinizadores.
O estudo considera quatro métodos de controle: biotecnologia, melhoramento genético, bioinsumos e defensivos químicos, além do manejo integrado, que combina dois ou mais deles. Para a Croplife, o setor investe na segurança dos produtos aprovados quando usados conforme as recomendações.




