Vacina brasileira contra malária vivax é liberada para testes

A vacina contra malária vivax desenvolvida no Brasil deu um passo decisivo: a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início dos ensaios clínicos em humanos. Trata-se da primeira vacina contra a malária causada pelo parasita Plasmodium vivax, com tecnologia 100% nacional, criada pelo Centro de Tecnologia de Vacinas (CTVacinas) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

A liberação marca a transição da pesquisa de laboratório para o teste em pessoas. Antes de chegar à população, a candidata a vacina precisa comprovar que é segura e capaz de gerar proteção, o que depende de três fases de estudos clínicos.

Como serão os testes da vacina

A fase I, a primeira etapa, vai contar com 48 voluntários adultos, com idades entre 18 e 59 anos. Cada participante será acompanhado por 360 dias, período em que os pesquisadores avaliam a segurança do imunizante e a resposta do organismo.

O Ministério da Saúde prevê investir R$ 12 milhões para financiar as fases I, II e III do desenvolvimento. As etapas seguintes envolvem grupos maiores de voluntários e servem para medir a eficácia da vacina.

Por que a malária ainda preocupa o Brasil

A doença é transmitida pela picada de mosquitos do gênero Anopheles infectados. Em 2025, o país registrou 118.037 casos de malária, concentrados principalmente na região amazônica. Hoje, a prevenção e o controle dependem de diagnóstico rápido, tratamento e combate ao mosquito, já que não há vacina disponível para a população.

Por isso, o avanço é visto como importante para a saúde pública, especialmente para as áreas de maior transmissão. Ainda assim, é preciso cautela: o início dos testes em humanos não significa que a vacina já esteja pronta. O caminho até a eventual aprovação pela Anvisa e a oferta no Sistema Único de Saúde (SUS) pode levar anos e depende dos resultados de cada fase.

Quem viaja para áreas de risco, como a Amazônia, deve procurar uma unidade de saúde ao notar febre, calafrios e dor de cabeça após a viagem, pois o tratamento precoce é essencial. Mais informações sobre saúde e outros temas do dia estão na seção Brasil do Diário de Santa Catarina.

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