ONU: metas climáticas atuais levam a aquecimento de 2,6°C

Imagem ilustrativa: Terra vista do espaço. Foto: Nasa/Wikimedia Commons (domínio público)
O aquecimento global deve chegar a 2,6°C até 2100 se os países cumprirem integralmente os compromissos climáticos atuais, segundo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) divulgado nesta semana. Com as políticas hoje em vigor, o índice sobe para 2,8°C.
As projeções são superiores às do ano passado. O Pnuma atribui a mudança à saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris e à revisão de dados históricos de emissões.
Meta de 1,5°C do aquecimento global será ultrapassada
Pelo Acordo de Paris, de 2015, os países se comprometeram a manter o aquecimento bem abaixo de 2°C e, de preferência, em 1,5°C. O relatório afirma que limitar a alta a 1,5°C, sem ultrapassagem ou com ultrapassagem limitada, deixou de ser considerado possível.
Mesmo no cenário mais otimista, as temperaturas médias podem subir entre 1,7°C e 1,8°C em relação ao período pré-industrial até meados do século. Para voltar a 1,5°C, seria preciso remover grandes quantidades de carbono da atmosfera, algo cuja viabilidade ainda é incerta.
No novo cenário de ultrapassagem “mais baixa possível”, a chance de a temperatura retornar a 1,5°C ou menos até 2100 é de cerca de 50%.
O que seria necessário reduzir nas emissões
Segundo o Pnuma, as emissões de gases de efeito estufa teriam de ficar 18% abaixo dos níveis de 2025 em 2030, 45% abaixo em 2035 e 69% abaixo em 2040. Os planos nacionais atuais prometem corte de apenas 5% a 8% até 2030 e de 11% a 15% até 2035.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que ultrapassar a meta não significa desistir. Para ele, o aquecimento deve ser o menor e o mais breve possível, com retorno a menos de 1,5°C até o fim do século.
O tema deve dominar a próxima rodada de negociações, a COP31, que será realizada na Turquia. Sobre os efeitos do clima no momento, veja também o alerta da OMM sobre o El Niño.




