Itamaraty empossa pela 1ª vez diplomatas indígenas e quilombola

Os indígenas Marcelo Kariri Menezes, do povo Kariri, e Idjahure Terena, do povo Terena, tomaram posse no Palácio Itamaraty, em Brasília, como diplomatas. É a primeira vez que representantes de povos originários ingressam no curso de Formação de Diplomatas do Instituto Rio Branco, ligado ao Ministério das Relações Exteriores.

Eles integram a turma que começa em 2026 e termina em 2028, com cerca de 60 alunos aprovados no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD). Quase metade das vagas foi ocupada por grupos sub-representados na diplomacia: 17 pessoas negras, sete pessoas com deficiência, uma quilombola e os dois indígenas. As mulheres são 45% da turma, a maior proporção da história.

Ações afirmativas no concurso

O resultado decorre de ações afirmativas previstas no Estatuto da Igualdade Racial, de 2010, e de uma antiga reivindicação de movimentos de direitos humanos. A ministra interina das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, afirmou que o corpo diplomático precisa refletir a diversidade do povo brasileiro e citou a ampliação da bolsa-prêmio de preparação para a carreira, que passou a apoiar também mulheres de baixa renda, indígenas e pessoas com deficiência.

O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, classificou a posse como a materialização do conceito de “aldear o Estado”. O escritor Ailton Krenak, convidado de honra, também participou da cerimônia.

Trajetória dos novos diplomatas

Marcelo Kariri, natural de Campina Grande (PB), é engenheiro eletricista pela Universidade Federal de Campina Grande, tem MBA em Digital Business pela USP/Esalq e é autor de livro infantojuvenil. Idjahure Terena é doutorando em Antropologia Social pela USP, mestre pelo Museu Nacional da UFRJ e bacharel em Ciências Sociais pela PUC-Rio.

Segundo o IBGE, o Brasil tem 1,2 milhão de indígenas, de 391 etnias, e 92,1 milhões de pessoas negras.

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